Saúde
Carro da Vacina ganha prêmio de experiências bem-sucedidas em saúde
Chefe do Núcleo de Vigilância Epidemiológica e Imunização da Região Oeste de Saúde, Zildene Bitencourt, faz parte da equipe criadora do Carro da Vacina. Foto: Ualisson Noronha/Agência Saúde-DF
Iniciativa foi destaque durante o VIII Fórum de Imunização e o V Fórum de Doenças Imunopreveníveis
O Carro da Vacina foi premiado como a melhor experiência bem-sucedida apresentada durante o VIII Fórum de Imunização e o V Fórum de Doenças Imunopreveníveis, nesta quinta-feira (5). A iniciativa se destacou por facilitar o acesso de imunizantes a populações vulneráveis das regiões periféricas do Distrito Federal. Mais de 57 mil doses foram aplicadas por meio dessa estratégia.
Desde sua primeira edição, em 2022, Carro da Vacina evoluiu e hoje abrange ações em locais de grande circulação de pessoas, além de aumentar sua cartela de vacinas. Foto: Tony Winston/Arquivo Agência Saúde-DF
“Conseguimos fazer com que o Carro da Vacina fosse reconhecido em todo o DF. Então, é um orgulho estar aqui representando a equipe que alcançou esse sucesso”, afirmou a chefe da Vigilância Epidemiológica e Imunização (Nvepi) da Região de Saúde Oeste, Zildene Bitencourt.
Inicialmente pensado para atuar apenas na área de abrangência dessa região, formada por Ceilândia, Brazlândia e Sol Nascente/Pôr do Sol, o Carro da Vacina também já foi levado para ações em outras localidades da capital, como Eixão do Lazer, Torre de TV e Parque da Cidade Sarah Kubitschek.
A ação se caracteriza por ser itinerante e proativa: o Carro da Vacina percorre as ruas a baixa velocidade, enquanto a população é convocada com o uso de um megafone. A cada parada, um grupo de pessoas é imunizado e recebe suas cadernetas de vacinação atualizadas.
Iniciativa já permitiu a aplicação de mais de 57 mil doses de vacinas. Foto: Sandro Araújo/Agência Saúde-DF
Ampliação de serviços
Na primeira edição do Carro da Vacina, em janeiro de 2022, a ideia foi levar imunizantes contra a covid-19 à população vulnerável de áreas rurais e isoladas em Ceilândia e Sol Nascente. A estratégia conseguiu chegar a moradores de chácaras, idosos, pessoas sem condições de sair de casa, famílias com poucos recursos para se deslocarem às salas de vacina e até cidadãos sem conhecimento do direito de acesso aos imunizantes.
O projeto evoluiu. O Carro da Vacina passou a ser levado para locais de grande concentração de pessoas. Neste sábado (5), por exemplo, a equipe itinerante estará na Praça da Bíblia e no Centro Olímpico do Setor O, ambos em Ceilândia.
Além disso, outros imunizantes passaram a ser oferecidos – hoje, apenas as vacinas contra a dengue e a BCG não estão a bordo do veículo. Das 57,6 mil doses aplicadas até fevereiro de 2025, quase 19 mil foram contra a covid-19 e mais de 38 mil contra a influenza (gripe) e demais do calendário básico de vacinação, como HPV, febre amarela, difteria e sarampo.
Com mudanças nas necessidades e demandas da Secretaria de Saúde (SES-DF), o projeto também incorporou novas ações. Em junho de 2023, as equipes passaram a levar testes rápidos para Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST). Até fevereiro deste ano, foram 19,8 mil testes realizados, com 175 pacientes diagnosticados, incluindo 16 casos de HIV. Nessas situações, a pessoa já recebe acolhimento inicial e orientações para iniciar o tratamento.
Em janeiro de 2025, 165 beneficiários do Bolsa Família tiveram seu acompanhamento realizado no próprio Carro da Vacina. E, até fevereiro também deste ano, 6,5 mil kits de saúde bucal foram distribuídos aos pacientes.
Encontrando novas realidades
Bitencourt destacou o ganho de conhecimento proporcionado pelo Carro da Vacina. Segundo ela, as ações itinerantes permitem aos servidores da SES-DF ampliar a visão de mundo, ao descobrir mais sobre a população local e a realidade de cada um. “Nada melhor que estar em um território para conhecê-lo e, assim, conseguir conceber estratégias”, explica.
Para a gestora, ações em regiões de perfil socioeconômico totalmente diferente, como no Plano Piloto, levantam novas perguntas sobre os desafios que envolvem as coberturas vacinais. “Às vezes, pensamos que as pessoas têm dificuldades de se imunizarem por causa do transporte, mas quando chegamos nos locais, percebemos que não se trata apenas disso.”
Práticas exitosas
A premiação obtida pelo projeto Carro da Vacina teve a concorrência de outras experiências exitosas apresentadas. Entre elas estavam o sucesso da disponibilização de imunobiológicos especiais em 15 salas de vacinação da Região Sudoeste de Saúde (Vicente Pires, Águas Claras, Arniqueiras, Taguatinga, Samambaia e Recanto das Emas). A iniciativa já beneficiou quase 600 pacientes com condições de saúde específicas.
No rol, estava ainda experiência de investigação de um surto de covid-19 no Hospital Universitário de Brasília (HUB), uma oficina para ampliar os conhecimentos sobre cartões vacinais e o uso de ferramentas digitais para monitoramento epidemiológico.
De acordo com o subsecretário de Vigilância à Saúde, Fabiano dos Anjos Martins, o maior resultado alcançado é o compartilhamento das iniciativas e o detalhamento de como cada resultado foi alcançado. “Esse prêmio é uma forma de incentivar os profissionais a trazerem para esse espaço soluções bem-sucedidas aos desafios, capazes de serem reproduzidas”, afirmou.
Para mais informações, contate-nos pelo e-mail: entrevista.saudedf@saude.df.gov.br
Secretaria de Saúde do Distrito Federal | Assessoria de Comunicação
Saúde
Empresas serão obrigadas a fiscalizar vacinas dos colaboradores?
O que é fake news e o que realmente muda para empregadores com a Lei nº 15.377/2026.
No último dia 6 de abril, foi publicada a Lei nº 15.377/2026, que altera a CLT para determinar que empresas disponibilizem informações sobre campanhas oficiais de vacinação, HPV e cânceres de mama, colo do útero e próstata a seus empregados.
Bastaram algumas horas para os comentários na internet esquentarem. No Instagram, um seguidor do Pleno News reagiu assim: “Mais um encargo para o empresário. Preocupar com a caderneta de vacinação de um monte de marmanjo.”
Outras dúvidas apareceram na sequência: “Detectar câncer? Que exame é esse?” “Não quero patrão mandando no meu corpo.”
Na prática, o que esses comentários revelam é algo que vejo com frequência no meu trabalho como advogada empresarial: a desinformação sobre direito do trabalho no Brasil é grande, e ela prejudica tanto o trabalhador quanto o empresário.
Por isso, minha intenção neste artigo é esclarecer o que a Lei nº 15.377/2026 realmente diz, o que muda na prática e o que é, simplesmente, fake news.
Empresas terão que fiscalizar a caderneta de vacinação dos colaboradores?
Não. Essa afirmação é fake news.
A lei não cria nenhuma obrigação de controle, cobrança ou fiscalização sobre o histórico vacinal de ninguém. O que ela determina é que a empresa disponibilize informações sobre campanhas oficiais de vacinação. Informar é diferente de fiscalizar. A empresa comunica. O trabalhador decide.
Aliás, empresas já fazem isso rotineiramente com dezenas de outros temas: campanhas de saúde mental, prevenção de acidentes, programas de qualidade de vida. A lei apenas inclui mais um tema nesse rol de comunicação interna que o RH já conhece bem.
Que exame de câncer é esse? O que é o HPV e o que tem a ver com o Papanicolau?
O HPV é uma infecção sexualmente transmissível comum que, em determinados casos, pode evoluir para cânceres. O Papanicolau, o popular “preventivo”, é o exame que rastreia alterações celulares causadas pelo HPV antes que se tornem um problema grave. Para os homens, os exames de rastreamento de câncer de próstata incluem o PSA e o toque retal.
São exames simples, acessíveis pelo SUS e que salvam vidas quando feitos regularmente. O problema é que muita gente adia por não conseguir faltar ao trabalho sem prejuízo financeiro. É exatamente nesse ponto que a nova lei atua.
Quem deve se vacinar contra o HPV?
A vacina contra o HPV está disponível gratuitamente pelo SUS, mas com critérios definidos pelo Ministério da Saúde: meninas e meninos de 9 a 14 anos, pessoas imunossuprimidas ou vítimas de violência sexual até 45 anos.
A maioria dos trabalhadores adultos não se enquadra nesses critérios. Para essa parcela, o que a lei promove na prática é o acesso à informação sobre os exames preventivos, o principal instrumento de detecção precoce disponível para quem já passou da faixa etária da vacinação.
O que muda para as empresas na prática com a Lei nº 15.377/2026?
As empresas passarão a incluir nos seus canais internos de comunicação informações sobre vacinação, HPV e os cânceres previstos na lei, seguindo as orientações do Ministério da Saúde.
A mudança mais concreta está no art. 473 da CLT: o trabalhador agora pode faltar para realizar exames preventivos sem desconto no salário. Essa ausência passa a ser falta justificada por lei. Para o RH, isso significa atualizar políticas internas e garantir que nenhum desconto indevido seja aplicado.
Dito isso, vale, enfim, ressaltar que a Lei nº 15.377/2026 não invade a vida privada de ninguém. Ela remove um obstáculo: o medo de perder o dia de trabalho na hora de cuidar da saúde. Diagnóstico precoce salva vidas, e uma falta justificada pode ser a diferença entre um tratamento simples e um quadro avançado.
CRÉDITOS:
Por Thassya Prado, advogada empresarial e idealizadora do @entendaseudireito.
CRÉDITOS:
Foto: Cristine Rochol
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