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Saúde

Tratamentos ligados à saúde mental fazem disparar gastos dos planos com reembolso

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Nesta semana, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) isentou os planos de saúde de cobrir sessões de psicopedagogia para pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) aplicadas em escolas e em casa. Ao mesmo tempo, reiterou a obrigação da cobertura a tratamentos multidisciplinares, como musicoterapia e equoterapia, evidenciando uma das mais difíceis mudanças estruturais já vividas pela área.Se por um lado as famílias sofrem ao receber o diagnóstico e tentam melhorar a qualidade de vida dos pacientes com as terapias existentes, de outro os planos de saúde têm recebido demanda inédita por reembolsos – o que fragiliza ainda mais a já desafiadora sustentabilidade financeira das empresas, segundo especialistas.Empresas da área já relataram que as despesas com tratamentos ligados a condições de saúde mental superam os gastos com oncologia, em termos porcentuais em relação aos sinistros. Apesar de os tratamentos para câncer serem muito mais caros pela tecnologia envolvida, o volume de pedidos de reembolsos para terapias mentais explodiu e criou a distorção.

“Já recebi na WTW contas de terapias para serem reembolsadas que superavam o R$ 1 milhão”, diz Walderez Fogarolli, diretora gestão da saúde na Willis Towers Watson, consultoria que ajuda empresas a gerenciar as despesas de saúde de seus funcionários. “Foram tratamentos individualizados com vários profissionais, como fono, psicólogos, psiquiatras, psicopedagogos, psicomotricistas, entre outras terapias, ao longo do ano.” Até mesmo acompanhantes em creches e escolas são lançados para reembolso dos planos de saúde, segundo os entrevistados.

Espectro autista

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Segundo o Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, em 2000, uma em cada 150 crianças tinha diagnóstico de TEA. Em 2020, último ano com dados disponíveis, era uma em cada 36. No Brasil, o último censo escolar, de 2021, registrou crescimento de 280% nos estudantes matriculados com TEA. O porcentual pode representar maior inclusão, mas também o crescimento do diagnóstico.

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Luís Fernando Joaquim, sócio da área de saúde na Deloitte, diz que, se antigamente essa condição era subdiagnosticada, com crianças sendo consideradas preguiçosas, lentas ou “atrasadas”, hoje a situação pode estar se invertendo com sobrediagnósticos. “Tem crianças que custam R$ 30 mil, R$ 40 mil por mês, com 40 horas de suporte semanais”, diz ele. “É como se fosse uma escola só de terapias.”

Segundo ele, esse quadro foi um dos motivos que ajudou na situação de dificuldade atual dos planos de saúde. Também contribuíram o crescimento de sequelamentos de covid-19, bem como doenças que se agravaram pelo não tratamento durante a pandemia e entrada de 4 milhões de novos pacientes no sistema. “Quando a pessoa passa a ter plano, ela chega com uma demanda reprimida enorme”, diz ele.

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Em números

Isso fez com que, nos últimos três anos, os planos de saúde tivessem déficits operacionais, segundo a ANS. O último trimestre com dados positivos foi entre outubro e dezembro de 2021, quando as operadoras de saúde e odontológicas tiveram lucro de R$ 616 milhões. De lá para cá, foram ladeira abaixo. No terceiro trimestre de 2022, as perdas somavam R$ 11 bilhões, sendo repetidas consecutivamente, em valores menores, porém sempre bilionários. No primeiro trimestre deste ano, o resultado operacional ficou negativo em R$ 1,1 bilhão.

Para os especialistas, haverá ajustes. “Não existe sistema sem limites e não se pode deixar a regulação para o judiciário, que vai decidir sempre em favor da pessoa física que está à sua frente”, afirma Walter Cintra Ferreira, médico sanitarista e professor de gestão em saúde da FGV. “A sociedade brasileira, de maneira quase infantil, evita a decisão sobre o que vai ser pago e quem ficará sem benefício, em prol de toda a sociedade.” Por outro lado, diz ele, a saúde não pode ser apenas regulada pelo livre mercado, mas, uma vez estabelecidas, as regras precisam ser perenes.

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“Os EUA viveram o mesmo movimento e estabeleceram diretrizes para o tratamento de TEA, com a limitação do número de consultas”, afirma Walderez. “Ninguém quer cercear tratamentos, mas é preciso estabelecer regras para que as condições deixem de ser insustentáveis para os planos e para as próprias empresas, que terão de arcar com os custos maiores nos reajustes.” Segundo ela, isso tem levado a maioria das corporações a rebaixar o nível dos contratos na renovação com os planos de saúde.

Desde outubro, a ANS tem uma consulta pública aberta para coleta de informações que ajudarão no estabelecimento dessa política pública. Além disso, os planos têm tomado suas próprias medidas de contenção. Segundo Bruno Porto, sócio da consultoria e auditoria PwC Brasil, entre as medidas estão a oferta de profissionais qualificados pelos planos, bem como a internalização desses procedimentos dentro de sua própria rede.

“Além do custo, o objetivo é ter melhor desfecho para o tratamento”, diz ele. Por trás, há o conceito de saúde baseada em valor, que procura dar atendimento aos problemas no início, quando os tratamentos são mais baratos. “O cuidado com saúde mental hoje pode evitar um grande sinistro mais à frente”, afirma Porto. “Saúde é um negócio de margens apertadas e precisa ter desfechos positivos com o menor custo possível.”

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Outro problema, diz ele, está no que chama de “desalinhamento de expectativas”. Porto conheceu recentemente os sistemas de saúde de China, Dinamarca e Inglaterra de perto e diz que, mesmo de alta qualidade e universal à população daqueles países, são mais espartanos do que o atendimento dos planos de saúde brasileiros.

Como os planos são pagos (mesmo que pela empresa), o usuário brasileiro tem a perspectiva de que precisa desfrutar ao máximo dos serviços para compensar os gastos. “Cada ator precisa refletir sobre suas responsabilidades para a melhoria de saúde e a sustentabilidade de todos”, afirma.

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Saúde

Frio pode aumentar dores crônicas e afetar a rotina de pacientes

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Movimento, hidratação e proteção contra as baixas temperaturas ajudam a aliviar desconfortos e preservar a qualidade de vida

 

Com a chegada dos meses mais frios, Cláudia Cordeiro da Silva, de 60 anos, já sabe que precisará adaptar a rotina. Paciente do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) há oito anos, ela convive com fibromialgia e artrose nas mãos e sente no próprio corpo os impactos desse período.

 

“Quando chega esta época, eu já me escondo dentro de casa. Fico encolhida, deitada, porque tudo dói”, relata.
A percepção de Cláudia é compartilhada por muitas pessoas que convivem com doenças crônicas. Com a chegada do inverno, além do aumento dos casos de doenças respiratórias, cresce também a queixa de rigidez muscular, desconforto nas articulações e piora de sintomas já existentes.

 

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Segundo a reumatologista do HRSM, administrado pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), Rafaela Cruz, essa piora nem sempre está relacionada ao agravamento da doença. Na maioria das vezes, está associada às respostas naturais do organismo diante das temperaturas mais baixas.

 

“A musculatura fica mais rígida e menos elástica, o que pode gerar desconforto durante os movimentos e os alongamentos”, explica a especialista.

 

Além disso, para preservar o calor corporal, o organismo reduz a circulação sanguínea em regiões mais periféricas, como mãos e pés. Essa adaptação pode aumentar a sensibilidade e intensificar a percepção da dor em algumas pessoas.

 

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Rafaela ressalta que a influência do frio varia de indivíduo para indivíduo.
“O frio e a dor são experiências muito subjetivas. Algumas pessoas sentem um impacto maior das baixas temperaturas, enquanto outras praticamente não percebem diferença”, afirma.

Movimento e proteção ajudam a reduzir desconfortos

Durante os meses mais frios, também é comum diminuir a prática de atividades físicas, permanecer mais tempo sentado e evitar sair de casa. No entanto, a redução dos movimentos pode favorecer a perda de mobilidade e intensificar desconfortos já existentes.

 

“Quando nos movimentamos, melhoramos a circulação sanguínea e favorecemos a chegada de oxigênio aos tecidos, inclusive nas extremidades do corpo. Por isso, permanecer ativo e aquecido ajuda a reduzir a rigidez muscular e a sensação de dor”, orienta a médica.

 

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Embora não pratique exercícios físicos regularmente, Cláudia procura manter uma rotina ativa. Sempre que possível, faz seus deslocamentos a pé e adota cuidados simples para enfrentar os dias mais frios.

 

“Eu procuro caminhar quando preciso resolver alguma coisa e nunca saio sem me agasalhar bem. Percebo que, quando me mantenho aquecida e me movimento um pouco mais, as dores ficam mais suportáveis”, conta.

 

Outro cuidado importante, segundo a especialista, é a hidratação. Mesmo com a redução da sensação de sede durante o inverno, o consumo adequado de água continua sendo fundamental para o funcionamento do organismo e para a saúde muscular e articular.

 

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“Com medidas simples, como permanecer ativo, hidratado e protegido do frio, é possível minimizar os efeitos das baixas temperaturas e atravessar o inverno com mais conforto e qualidade de vida”, conclui Rafaela.
Onde buscar atendimento?

 

Pessoas que apresentam dores persistentes nas articulações, músculos ou coluna devem procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima da residência para avaliação inicial. Após consulta e exames, caso haja necessidade, o paciente poderá ser encaminhado para atendimento especializado em reumatologia ou outras especialidades da rede pública de saúde.
CRÉDITOS:
Foto: Divulgação/IgesDF
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