Saúde
Obesidade: o excesso de gordura gera um processo inflamatório, desencadeando diversas doenças
A obesidade é uma patologia crônica, que não tem cura, porém tem controle. Saiba o que o excesso de gordura causa e o que fazer.
O panorama da obesidade ao longo dos anos mudou muito. Para vocês terem uma ideia, até os anos de 2000, a preocupação maior era com a desnutrição e, atualmente, temos uma população acometida principalmente pelo sobrepeso –que chegou a mais da metade da população em 2021.¹

Em 2019, 407.589 pessoas foram diagnosticadas com obesidade grau III, o que representava 3,14% das pessoas. Já em 2022, o número subiu para 863.083 brasileiros diagnosticados com o mais grave nível de obesidade, totalizando 4,07% da população. Esse ponto percentual representa um crescimento de 29,6% em apenas 4 anos. Em 2025, a estimativa é de que 2,3 bilhões de adultos ao redor do mundo estejam acima do peso, sendo 700 milhões de indivíduos com obesidade.2,4
Antes vamos entender o que é a gordura ou o tecido adiposo…

O tecido adiposo, que por muitos anos foi considerado apenas um reservatório de energia em forma de triglicerídeos (TAG), hoje é reconhecido como um órgão endócrino capaz de produzir e secretar diversas substâncias que atuam sistematicamente no organismo. Tais substâncias são denominadas adipocinas e conferem ao tecido adiposo —principalmente quando em excesso — característica inflamatória e a associação com grande parte das doenças relacionadas a esse excesso.
A localização desse tecido adiposo também cumpre diferentes papéis no nosso organismo. Os dois principais tipos de gordura armazenada em nosso corpo são a gordura subcutânea e visceral:
Tecido adiposo subcutâneo. A gordura subcutânea é a gordura corporal que se encontra entre a pele e o músculo. É antilipolítica e os ácidos graxos derivados da sua hidrólise —quebra — encaminham-se para a circulação sistêmica. Por isso, essa gordura é menos nociva à saúde. Ela pode ser avaliada com adipômetro — dobras cutâneas — e costuma trazer um incômodo mais estético.5
Tecido adiposo visceral. A gordura visceral é a que fica localizada entre a parede posterior do músculo reto abdominal e a parede anterior da artéria aorta. Tem uma grande quantidade de receptores adrenérgicos, sendo altamente lipolítica. Os ácidos graxos derivados da lipólise — quebra de lipídeos — desse tecido direcionam-se para a circulação portal, passando, primeiramente pelo fígado e, depois, entrando na circulação sistêmica. Esse processo exacerbado causa o influxo (volta) de ácidos graxos para o fígado, sobrecarregando-o. Por produzir uma maior quantidade de adipocinas pró-inflamatórias, esse tecido adiposo é mais perigoso e está relacionado a doenças como esteatose hepática.5
Tanto a gordura subcutânea como a visceral, além de serem reservas de energia, também têm funções endócrinas. Eles liberam hormônios e proteínas como a leptina, adiponectina, IL-6, TNF-α e angiotensina, que ajudam a regular outros órgãos e processos em nosso corpo. No entanto, acredita-se que os hormônios e proteínas secretados pela gordura visceral sejam mais pró-inflamatórios que a gordura subcutânea.
Esta é uma das razões pelas quais o excesso de gordura visceral está mais fortemente associado a doenças metabólicas (ou seja, resistência à insulina e diabetes tipo 2) e doença cardiovascular, em comparação ao excesso de gordura subcutânea.
A proximidade da gordura visceral à veia porta (uma veia que transporta o sangue diretamente para o fígado) é outra hipótese porque o excesso de gordura visceral tem maiores efeitos negativos sobre a saúde.
Explicado o que é o tecido adiposo, agora você entenderá melhor o que é a obesidade
É uma doença crônico-degenerativa, inflamatória e multifatorial que favorece o balanço energético positivo, na qual a reserva natural de gordura –central e periférica — aumenta até o ponto que se associa a certos problemas de saúde ou aumento da taxa de mortalidade.6,7
A obesidade gera um estado inflamatório subclínico. Quando o tecido adiposo tem um crescimento anormal, leva a um aumento da expressão de citocinas pró-inflamatórias, de PAI-1, leptina (levando a resistência a ação da mesma e a hiperleptinemia) e redução de adiponectina.7


- Fígado. O aumento da leptina, TNF-alfa, IL-6 e ácidos graxos livres com redução de adiponectina; leva a redução da sensibilidade à insulina, aumenta gliconeogênese, aumenta VLDL, TG, PCR e PAI-1.5
- Músculo. O aumento da leptina, TNF-alfa, IL-6 e ácidos graxos livres com redução de adiponectina; diminui sensibilidade à insulina.5
- Pâncreas. O aumento de ácidos graxos livres; aumenta secreção de insulina. 5
- Cérebro. Aumento de leptina e IL-6; leva a resistência à leptina e a inflamação hipotalâmica. 5
Que desencadeia doenças como:

O excesso de gordura corporal, principalmente visceral — que é aquela que fica entorno dos órgãos vitais — pode levar a problemas crônicos. Pelo simples motivo que a gordura excessiva causa o influxo de ácidos graxos para o fígado, aumentando a probabilidade de esteatose hepática não alcoólica, aumentando ácidos graxos circulantes, aumentando a probabilidade de desenvolver colesterol, triglicérides, resistência à ação da insulina e desencadear problemas crônicos — que não têm cura, porém têm controle — como diabetes e hipertensão.
Sempre reforço para os meus pacientes que o excesso de gordura corporal pode ser silencioso, sendo que hoje sua saúde pode estar 100%, mas isso, daqui a 10 anos, pode mudar muito rapidamente.
Por isso, conforme tomamos medidas de mudança de estilo de vida, inclusão de uma rotina de exercícios de musculação combinados com aeróbios ou HIIT8,9 e melhora das escolhas alimentares, é natural que com a redução da gordura visceral os exames bioquímicos devam se normalizar e todas as medidas também —como consequência de todo um processo.
Algumas dicas…
- Dedique um tempo para sua alimentação. Estratégias de atenção plena auxiliam na saciedade e também na conscientização da alimentação, focando tanto na quantidade quanto na qualidade.
- Cuidado com os beliscos. Organize a alimentação da sua casa de forma que tenha o café da manhã, almoço e jantar muito bem determinados e os lanches intermediários bem organizados. Deixe sua rotina organizada, evitando escapes ao longo do dia.
- Se estiver muito ansioso ou estressado traga para a consciência o que faria de forma inconsciente. Rompa o comer inconsciente tirando uma foto do seu prato ou sua refeição, rompendo aquele momento impulsivo e trazendo seu momento para a consciência.
- Quando for fazer compras, não escolha alimentos que costuma ingerir nos momentos de estresse e ansiedade. Não vá ao supermercado com fome e, quando for fazer compras, opte por alimentos in natura, evitando aqueles que costuma consumir em momento de estresse e ansiedade.
- Entenda que seu corpo por dia. O seu organismo não separa o final de semana dos dias da semana. Por isso, todos os dias você tem que dar bons estímulos ao seu corpo. Além disso, não faça compensações entre dias (aquele famoso “detox” de segunda). Se um dia for sair para jantar, organize ainda mais o seu dia.
- Treinar é diferente de ter uma vida ativa. Lembre-se que uma coisa é o treino, que você se dedicará por um tempo e outra coisa é manter o dia ativo. Por isso os passos sempre são contabilizados independentemente do treino.
- Aproveite esses dias para criar um novo hábito. Uma rotina com bons hábitos se cria por repetição. Como estamos conseguindo controlar melhor nosso tempo, podemos organizá-lo com sabedoria e colocar em prática. Nosso único empecilho agora é driblar a desmotivação. Por isso, é um grande exercício para nossa motivação.
Fonte: IstoÉ
Mulheres incriveis
Dia de Combate ao Câncer de Mama: desinformação ainda dificulta a prevenção e o diagnóstico precoce
Celebrada nesta segunda-feira (19/10), data contribui para informações confiáveis chegarem a mais mulheres em todo o país
O Dia Mundial de Combate ao Câncer de Mama, celebrado nesta segunda-feira (19/10), reforça a importância de ampliar o acesso à informação baseada em evidências científicas, esclarecer dúvidas frequentes e incentivar o cuidado contínuo com a saúde. O câncer de mama é o tipo de câncer mais frequente entre as mulheres brasileiras, excluídos os tumores de pele não melanoma. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados cerca de 78,6 mil novos casos por ano no Brasil para o triênio 2026–2028, um risco estimado de 71,57 casos para cada 100 mil mulheres.
Embora os avanços na prevenção, no diagnóstico precoce e no tratamento tenham contribuído para melhorar o cuidado às pacientes, informações incorretas ainda podem atrasar a procura por atendimento ou criar a falsa percepção de que algumas mulheres não precisam se preocupar com a doença.
MITO DA HERANÇA GENÉTICA – É comum associar o câncer de mama exclusivamente ao histórico familiar. Embora a predisposição hereditária exista e exija acompanhamento específico, ela representa parcela reduzida dos diagnósticos. Segundo o INCA, entre 90% e 95% dos casos não têm relação com mutações genéticas hereditárias. Na maior parte das situações, o desenvolvimento da doença resulta da combinação de envelhecimento, alterações hormonais, histórico reprodutivo, condições ambientais e hábitos de vida.
Por isso, todas as mulheres devem estar atentas aos cuidados com a saúde, independentemente da existência de casos da doença entre familiares. A idade é um dos fatores de risco mais importantes: aproximadamente quatro em cada cinco casos ocorrem após os 50 anos. O envelhecimento da população brasileira reforça, portanto, a importância do acompanhamento da saúde ao longo da vida.
MAMOGRAFIA – Observar as mamas e conhecer as características do próprio corpo ajudam a perceber alterações. Essa atenção, no entanto, não substitui a mamografia nem a avaliação realizada por profissionais de saúde. A mamografia é o principal exame utilizado para o rastreamento do câncer de mama e pode identificar alterações antes que elas sejam percebidas pelo toque. Atualmente, o Ministério da Saúde recomenda que mulheres de 50 a 74 anos realizem o exame de rastreamento a cada dois anos.
Mulheres de 40 a 49 anos e aquelas com mais de 74 anos também podem ter acesso à mamografia no SUS, após receberem orientações de profissionais de saúde sobre os possíveis benefícios e riscos do exame. Para pessoas com sinais ou sintomas suspeitos, a mamografia diagnóstica e outros exames podem ser solicitados em qualquer idade, conforme avaliação profissional.
É importante procurar uma unidade de saúde ao perceber alterações como:
● caroço ou nódulo endurecido na mama, na axila ou próximo à clavícula;
● mudanças no formato ou no tamanho da mama;
● retração do mamilo;
● alterações na pele, como vermelhidão, espessamento ou aspecto semelhante à casca de laranja;
● saída espontânea de líquido pelo mamilo, especialmente quando contém sangue.
Essas alterações também podem estar relacionadas a condições benignas, mas precisam ser avaliadas por um profissional de saúde.
DIFERENTES FATORES DE RISCO – Não existe única causa para o câncer de mama. O desenvolvimento envolve combinação de fatores biológicos, hormonais, reprodutivos, ambientais e comportamentais. Entre os fatores associados ao aumento do risco estão envelhecimento, menopausa tardia e obesidade, consumo de bebidas alcoólicas, sedentarismo, além da exposição prolongada a hormônios em situações específicas.
HÁBITOS SAUDÁVEIS – Alguns desses fatores não podem ser modificados. Por outro lado, manter hábitos saudáveis pode contribuir para reduzir o risco de desenvolver a doença. Cerca de 30% dos casos de câncer podem ser evitados por meio da prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, controle do peso corporal e redução do consumo de bebidas alcoólicas e carnes processadas. Embora essas medidas não eliminem completamente o risco, elas estão associadas à melhoria das condições gerais de saúde e à prevenção de diferentes doenças crônicas.
DIAGNÓSTICO PRECOCE – Identificar o câncer de mama em seus estágios iniciais faz diferença para o tratamento e prognóstico. Quando diagnosticado precocemente, o câncer costuma apresentar maiores possibilidades de tratamento com menor comprometimento da mama e melhores taxas de sobrevida. Especialistas recomendam que as mulheres mantenham acompanhamento regular conforme a orientação dos profissionais de saúde e procurem avaliação sempre que perceberem qualquer alteração. A atenção aos sinais do corpo, o acesso aos serviços de saúde e exames para cada situação são estratégias fundamentais para reduzir a mortalidade associada à doença.
INFORMAÇÃO CONFIÁVEL – Com o aumento de conteúdos sobre saúde nas redes sociais e em aplicativos de mensagens, informações sem respaldo científico podem contribuir para a disseminação de crenças equivocadas sobre prevenção, fatores de risco e formas de diagnóstico. Buscar informações em instituições como o INCA, sociedades médicas e profissionais de saúde, é fundamental para tomar decisões baseadas em evidências. Significa garantir que mais mulheres conheçam seus direitos, reconheçam sinais da doença e procurem atendimento no momento adequado.
Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República
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Tel.: (61) 3411-1601/1044
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Fonte capa: Google/ Hospitalviver
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DRA. PAOLA MACHADO



