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Saúde

Rouquidão pode ser câncer de laringe; entenda

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É comum associar a rouquidão a causas mais simples, como gripe, resfriado, refluxo, mau uso da voz, poluição, estresse ou ansiedade

PATRÍCIA PASQUINI
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Em 2012, a professora Vera Lúcia Cavalcanti de Sá, 68, baiana de Salvador, recebeu a pior e a melhor notícia de sua vida.

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A rouquidão era frequente. Na época, Vera realizava tratamento com otorrinolaringologista contra refluxo. O problema disfarçava o crescimento de um carcinoma na laringe.

Outros sintomas surgiram, como a sensação de nó na garganta, dificuldade para engolir e facilidade para engasgar.

Um dia, após cuspir sangue, a professora procurou a emergência do Hospital Santa Izabel, na cidade onde mora. Os médicos recomendaram uma broncoscopia. Em fevereiro daquele ano, ela recebeu o diagnóstico de câncer na laringe.

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O tumor foi descoberto em estágio avançado, no grau quatro. Ex-fumante há oito anos, na época, Vera Lúcia recusou a cirurgia.

“Tive que assinar um documento, porque não queria operar e ser mutilada. Os médicos queriam tirar a laringe, a faringe… Preferi seguir em frente com o tratamento. Fiz cinco sessões de quimioterapia, 32 de radioterapia e mais duas de quimio, e fui liberada no mesmo ano. Após cinco anos, tive alta definitiva. Na terceira quimioterapia, o tumor já havia diminuído 80%. Não operei e não perdi minhas cordas vocais, onde ele estava alojado”, relata.

Além de exames anuais, a professora hoje faz exercícios físicos, cuida da alimentação, não bebe e nem fuma.

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É comum associar a rouquidão a causas mais simples, como gripe, resfriado, refluxo, mau uso da voz, poluição, estresse ou ansiedade, por exemplo. Especialistas afirmam que essa alteração na voz não deve ser subestimada ou negligenciada.

A rouquidão é o principal indício de câncer na laringe, doença cinco vezes mais comum no público masculino, população mais exposta ao fumo e à bebida alcoólica. É predominante na faixa etária acima de 40.

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“Basicamente, você tem no tumor de cabeça e pescoço, e particularmente da laringe, a maior causa conhecida de rouquidão”, afirma Artur Malzyner, oncologista do Hospital Albert Einstein e membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica.

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Segundo Malzyner, os cânceres de pulmão e do mediastino também estão associados à rouquidão prolongada. “Mais de duas semanas é um alerta; mais de um mês é absoluta necessidade de ver um especialista.”

Para cada ano do triênio 2023-2025, o Inca (Instituto Nacional do Câncer) estima 7.790 novos casos no Brasil 6.570 nos homens e 1.220 nas mulheres. Esses valores correspondem a um risco estimado de 6,21 casos novos a cada 100 mil homens e 1,09 a cada 100 mil mulheres.

“A atenção a um simples sintoma, como rouquidão, já seria capaz de aumentar exponencialmente as taxas de diagnóstico precoce no país. O ideal é que qualquer pessoa que apresente um padrão de voz diferente e persistente procure um especialista, como um fonoaudiólogo ou otorrinolaringologista”, afirma o médico Carlos Santa Ritta, vice-coordenador da Comissão de Cabeça e Pescoço da SBCO (Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica).

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A rouquidão persistente já pode representar uma lesão na prega vocal e precisa ser avaliada por um exame de videolaringoscopia. Quanto mais precoce é o diagnóstico, maior é a probabilidade de preservar a laringe.

Outros sintomas do câncer de laringe são tosse seca e constante, escarro com sangue, dificuldade para engolir alimentos ou sensação de algo preso na garganta, dor de garganta ou de ouvido persistentes, caroço no pescoço e perda de peso.

“Ocasionalmente pode haver dificuldade respiratória. O ar vem pelo nariz ou pela boca e é inspirado até os pulmões através da laringe. Se a laringe está estreitada por um tumor crescendo, é óbvio que poderá comprometer a capacidade respiratória do paciente”, explica Malzyner.

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Thiago Bueno de Oliveira, oncologista clínico e presidente do GBCP (Grupo Brasileiro de Câncer de Cabeça e Pescoço), alerta que o fumo de qualquer produto (cigarro, cachimbo, charuto, narguilé, cigarro de palha, cigarro eletrônico) é um hábito cancerígeno. “Além disso, assim como o tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas também aumenta a probabilidade de tumor na laringe. E o risco aumenta exponencialmente na combinação dos dois.”

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O controle do peso e alimentação saudável, principalmente com frutas, legumes e verduras, também são formas de evitar a doença.

Além de evitar o fumo e o álcool, e controlar o peso, os cânceres de cavidade oral podem ser evitados com boa higiene bucal, uso da camisinha no sexo oral e a vacina contra o HPV.

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As estimativas do Inca para cada ano do próximo triênio (2023-2025) apontam para 41 mil novos casos de câncer de cabeça e pescoço.

A mortalidade dos cânceres de boca e laringe é mais alta, principalmente no Brasil onde os diagnósticos são tardios. Se tratados em fase inicial, a chance de cura desses tumores é de 90%. O problema é que 80% dos pacientes já chegam ao diagnóstico e tratamento em fase avançada.

SINTOMAS

Laringe:

  • Rouquidão
  • Dificuldade para engolir alimentos ou sensação de algo preso na garganta
  • Dor de garganta ou de ouvido persistentes
  • Caroço no pescoço
  • Tosse constante
  • Dificuldade respiratória
  • Perda de peso sem motivo

Cavidade oral:

  • Área esbranquiçada na cavidade oral, parecida com uma afta, que não melhora
  • Mancha vermelha persistente na cavidade oral, que pode sangrar
  • Ferida na boca que não cicatriza após 15 dias
  • Perda ou amolecimento de dentes
  • Nódulo no pescoço
  • Massa ou nódulo na língua, nas gengivas ou no rosto
  • Dificuldade para mexer a língua, mastigar ou engolir alimentos
  • Mau hálito constante
  • Perda de peso inesperada

Fonte: Jornal de Brasilia

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Saúde

Unidades de Pronto Atendimento do DF recebem ações voltadas ao cuidado com a saúde mental

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Iniciativa integra a Campanha do Janeiro Branco e é desenvolvida pelo Projeto Acolher, do IgesDF
Por Ivan Trindade
Música, escuta ativa e diálogos sobre saúde mental marcaram as ações da Campanha do Janeiro Branco realizadas nesta semana nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e em polos administrativos do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF). Em meio à rotina intensa de quem atua diariamente no atendimento à população, o Núcleo de Qualidade de Vida no Trabalho (NUVID), por meio do Projeto Acolher, levou às unidades a ação “Prosa e Melodia”.
A iniciativa promoveu momentos de acolhimento, integração e sensibilização. Psicólogos conduziram conversas leves e informativas, reforçando a importância do autocuidado e destacando que profissionais que cuidam do outro também precisam ter sua saúde mental preservada.
As atividades integram a programação do Janeiro Branco nas unidades geridas pelo IgesDF. O ciclo de ações teve início no dia 12 de janeiro, passando pelas UPAs do Gama, Planaltina, Samambaia e Recanto das Emas. No dia 13, foi a vez das equipes de São Sebastião e Paranoá. Já no dia 14, as ações chegaram às UPAs de Brazlândia, Núcleo Bandeirante, Riacho Fundo, Sobradinho e Vicente Pires, sempre com o objetivo de fortalecer o bem-estar e estimular a escuta ativa no ambiente de trabalho.
O propósito central da campanha é contribuir para a construção de um ambiente institucional mais humano, saudável e confiável. Segundo os organizadores, o cuidado com a saúde mental dos colaboradores impacta diretamente a qualidade da assistência prestada ao cidadão, formando uma cadeia positiva que começa no trabalhador e se reflete no atendimento ao paciente.
Para o diretor-presidente do IgesDF, Cleber Monteiro, a campanha evidencia o compromisso do Instituto com quem sustenta diariamente a saúde pública. “Sabemos que a rotina dentro de uma UPA exige preparo técnico, mas também equilíbrio emocional. Criar espaços como este significa reconhecer o valor do colaborador e proteger sua saúde mental, garantindo um atendimento mais humanizado à população. O Janeiro Branco materializa uma política de valorização do trabalhador, baseada no diálogo, na escuta e na aproximação entre gestão e equipes”, destaca.
Colaborador em primeiro lugar
Segundo a chefe do NUVID, Paula Paiva, a adesão crescente dos profissionais demonstra que a saúde mental deixou de ser um tabu dentro da instituição.
“O principal objetivo da ação é conscientizar os colaboradores sobre a importância do autocuidado para o bem-estar pessoal e para a qualidade do atendimento ao público. Vamos percorrer todas as unidades geridas pelo Instituto. Somente nas UPAs, cerca de 800 colaboradores serão diretamente impactados, com foco na redução da ansiedade e no estímulo à presença no momento atual”, afirma.
Na UPA de Brazlândia, a gestão percebe de perto os efeitos da iniciativa. O gerente substituto da unidade, Igor Cavalcante, relata que os profissionais se sentiram valorizados.
“O nosso cotidiano é muito intenso. Somos cerca de 160 colaboradores, além de terceirizados. Nesse cenário, ações como essa promovem acolhimento, conscientização e valorização, contribuindo para um ambiente menos pressionado e para a melhoria direta da qualidade do atendimento à população”, pontua.
Para o gerente da UPA do Núcleo Bandeirante, Neviton Batista, cuidar da saúde mental dos colaboradores não é uma opção, mas uma necessidade. “Pessoas emocionalmente saudáveis trabalham melhor, se relacionam melhor e têm mais qualidade de vida dentro e fora do ambiente de trabalho. Lidamos diariamente com pressão, sobrecarga e responsabilidades que não ficam do lado de fora quando entramos na instituição”, observa.
No dia 15, a ação também foi realizada no PO700, sede administrativa do IgesDF, reunindo colaboradores de diversos núcleos em um momento de diálogo, música e incentivo à busca por apoio e cuidados com a saúde física e mental. Na mesma data, as UPAs de Ceilândia I e II também receberam as equipes do Projeto Acolher.
Proposta continuada
O Projeto Acolher já é reconhecido internamente por atender a uma demanda essencial dos trabalhadores. Entre os serviços ofertados estão atendimentos em psicologia, psiquiatria, acupuntura, nutrição, meditação, Reiki e ginástica laboral, além de ações pontuais como o “Prosa e Melodia”.
A técnica de segurança do trabalho Luzia Tânia, que atua na UPA de Brazlândia, destaca a importância da iniciativa. “Atos como esse promovem a saúde mental dos colaboradores. Aqui criamos um painel com frases motivacionais, incentivando cuidados como a prática de atividades físicas e de lazer para aliviar o estresse da rotina hospitalar. O cuidado com a saúde mental impacta diretamente a qualidade do trabalho e a prevenção de acidentes”, ressalta.
O calendário de ações segue ao longo do mês, incluindo atividades no Centro de Distribuição, no dia 21, e será estendido às unidades administrativas e hospitalares do IgesDF.
Para Paula Paiva, o Janeiro Branco vai além de um marco simbólico. “Para o IgesDF, proteger a saúde mental é parte de uma gestão contínua. Isso preserva talentos, fortalece o espírito de equipe e melhora a qualidade do serviço público de saúde. Em um cenário de demandas crescentes, cuidar de quem cuida é um compromisso institucional”, finaliza.
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