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Janja diz que meme crítico a Zanin ‘tem um tantinho de trágico’

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Em meme, Janja limpa os óculos em imagem de Zanin e enxerga André Mendonça — Foto: Reprodução

Primeira-dama fez crítica leve ao magistrado na rede social; ministro indicado por Lula tem sido alvo da base e militância por posicionamentos conservadores

MÔNICA BERGAMO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, comentou no Twitter um meme crítico ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin, recém-indicado por Lula (PT) à Corte.

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Ela disse que a montagem, que ironiza o magistrado, é engraçada, “mas tem um tantinho de trágico”.

O vídeo começa com uma imagem de Zanin borrada. Em seguida, surge uma filmagem de Janja tirando seus óculos e limpando-os.

Quando a primeira-dama volta a colocá-los no rosto, já com as lentes limpas, consegue então ver que a imagem, igual à de Zanin, era na verdade de André Mendonça, ministro do STF indicado por Jair Bolsonaro (PL).

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Um internauta postou o vídeo no Twitter perguntando quem era o autor do meme. Janja respondeu com um emoji de uma mulher com a mão no rosto, cobrindo os olhos, como se estivesse constrangida.

Em seguida, um internauta responde: “Parece que a @JanjaLula não gostou muito da sua postagem. Mas nós brasileiros não gostamos nada da indicação do Zanin pelo @LulaOficial”.

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Ela, então, faz a tréplica: “O meme é engraçado, mas também tem um tantinho de trágico”.

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A primeira-dama quebrou assim, de forma indireta, o silêncio que vinha mantendo sobre a escolha de seu marido para a mais alta corte do país.

Zanin vem sendo criticado por apoiadores de Lula pelo seu posicionamento em julgamentos sobre temas caros à esquerda.

Na quinta (24), ele votou contra a descriminalização do porte de drogas para uso pessoal. O influenciador Felipe Neto e as deputadas federais Sâmia Bonfim (PSOL-SP) e Erika Hilton (PSOL-SP) foram às redes sociais criticar o ministro.

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“Defenderei o voto no Lula em 2022 até a morte, mas classifico esse como seu maior erro até agora. Imperdoável, inexplicável e inaceitável. Temos agora 3 ministros ultraconservadores na corte”, escreveu Felipe Neto.

Já políticos de centro-direita e de direita felicitaram o voto do ex-advogado de Lula, como o deputado Silas Câmara (Republicanos-AM), líder da bancada evangélica no Congresso, o deputado bolsonarista Filipe Barros (PL-PR) e Magno Malta.

Na última semana, o ministro apresentou relatório para manter a condenação de dois homens acusados de furtar um macaco de carros, dois galões com combustível e uma garrafa enchida pela metade com óleo diesel –itens que, juntos, foram avaliados em R$ 100.

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Neste caso, ele seguiu precedentes do próprio STF, já que um dos réus era reincidente.

Zanin foi também criticado por apoiadores de Lula por ter sido o único ministro do Supremo a votar contra a tipificação da homotransfobia como crime de injúria racial.

No voto, o magistrado sustenta a decisão com base em questões processuais, e afirma que a agressão pessoas LGBTQIA+ é grave no país.

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Os recentes votos de Zanin ampliaram a pressão da base do presidente para escolher um nome mais à esquerda, de preferência uma mulher negra, para a vaga de Rosa Weber, que completará 75 anos em outubro e terá de se aposentar.

Aliados de Lula, tanto da ala política como jurídica, porém, dizem duvidar que as cobranças surtam algum efeito na decisão do petista, que busca lealdade e maior facilidade de diálogo no próximo integrante da corte.

Fonte: Jornal de Brasilia
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Cientista política analisa uso da pauta feminina nas eleições pela direita

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Das 16 mulheres que tomam posse em fevereiro de 2027, sete são do Partido Liberal (PL) de Zucco; esquerda terá somente quatro cadeiras femininas.

Pelo terceiro pleito eleitoral seguido, a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (ALRS) bateu o recorde de ocupação feminina. Foram 16 as mulheres escolhidas pelo povo gaúcho para representá-las na casa do Poder Legislativo, superando as onze eleitas em 2022. Desta vez, no entanto, a representatividade feminina seguiu os rumos da eleição nacional e migrou ainda mais para a direita.

O Partido Liberal (PL) foi o mais beneficiado pelas urnas: reelegeu as suas duas deputadas, Kelly Moraes e Adriana Lara, e elegeu outras cinco candidatas: Adri Cherini, Comandante Nádia, Vanice de Matos, Daiane Mello e Ali Klemt.

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Além disso, dentre as quatro candidatas mulheres mais votadas, três são do partido do governador eleito Luciano Zucco. Adri Cherini (PL) foi a deputada estadual mais votada não somente entre as mulheres, mas entre todos os 56 candidatos eleitos. Somente em outros três pleitos a corrida ao Palácio Farroupilha foi protagonizada por uma mulher: em 1966, com Teresinha Chaise (MDB); em 2010, com Silvana Covatti (PP); e em 2014 com Manuela d’Ávila (PCdoB). Já Comandante Nádia (PL) e Kelly Moraes (PL), conquistaram respectivamente os terceiro e quarto lugares entre as mulheres. Luciana Genro (PSOL), terceira colocada geral, foi a segunda mulher mais votada.

Apesar de ter acompanhado o crescimento da extrema direita a nível nacional, o resultado eleitoral no Rio Grande do Sul é ainda mais expressivo em relação às mulheres, aponta Teresa Sacchet, cientista política e professora da UFRGS. Enquanto somente 15,7% dos 121 deputados eleitos pelo PL à Câmara são mulheres, as deputadas estaduais do PL gaúcho somam 58% da bancada do partido. Dos doze concorrentes eleitos pelo partido à ALRS, sete são mulheres.

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A dominância deste campo político também é favorecida pela retração do lado oposto. Se na atual legislatura são sete as deputadas estaduais de direita e cinco as de esquerda – Zilá Breitenbach (PSDB) assumiu como suplente após a perda do mandato do deputado Professor Bonatto (PSD), totalizando doze mulheres na ALRS em 2026 – a partir do ano que vem, serão doze de direita e somente quatro de esquerda.

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Além de Luciana Genro (PSOL), representarão a esquerda as deputadas estaduais eleitas Natasha (PT), Karen Santos (PSOL) e Sofia Cavedon (PT). As cinco demais candidatas de direita são Delegada Nadine (PSD), Ronize Damassini (PP), Delegada Ana Tarouco (PSD), Nicole Weber Covatti (PP) e Bruna Molz (Podemos).

Sacchet observa que a eleição de deputadas mulheres à Assembleia Legislativa representa por si só um aspecto democratizante, já que o poder legislativo passa a ter uma composição mais próxima àquela verificada socialmente. “Algumas pesquisas demonstram que as políticas mulheres têm uma probabilidade maior de defender os interesses das suas iguais em comparação aos homens”, comenta a cientista política.

Por outro lado, esse fator nem sempre beneficia grupos minoritários da população, indica Sacchet. “A gente vê que tem mulheres que se opõem a algumas agendas que foram conquistadas às custas de muita luta do movimento feminista, de mulheres parlamentares. Quando isso acontece, a voz delas é mais facilmente ouvida, tem mais força. De alguma forma, acabam fazendo um desserviço para a causa”, diz.

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Somadas, as candidatas de todos os partidos de esquerda reuniram quase 500 mil votos, o que corresponde a 1/3 de todos os votos em deputadas estaduais mulheres. Enquanto isso, somente as candidatas do PL concentraram praticamente a mesma quantidade, com uma desvantagem em menos de dois mil votos.

O maior contingente de votos em candidatas de direita revela uma cooptação do discurso político feminino para esse polo, indica Sacchet. “A pauta de aumento na representação de mulheres e de outros grupos sociais subalternizados é historicamente da esquerda, de movimento sociais” avalia a cientista política. “O fato de termos mais mulheres pelo PL me leva a pensar que os partidos de direita estão usando essa pauta estrategicamente para se elegerem”, completa.

Apesar do resultado histórico para as mulheres, a votação em candidatas do gênero feminino ainda é desproporcional no Rio Grande do Sul. Dos 6,1 milhões de votos válidos na eleição para deputado estadual pelo RS, cerca de 1,6 milhão foram em candidatas mulheres, o que corresponde a uma parcela de 26%. Considerando que as mulheres representavam 34% das candidaturas à Assembleia Legislativa – 179 das 528 totais –, é possível perceber uma preferência por candidatos homens por parte do eleitorado gaúcho.

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FONTE:

sul21.com.br

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Por Pedro Stahnke

As sete deputadas estaduais eleitas pelo PL: à esquerda, Adri Cherini; no topo, Kelly Moraes, Adriana Lara e Vanice de Matos; abaixo, Comandante Nádia, Daiane Mello e Ali Klemt | Fotos: Facebook Adri Cherini/Reprodução; Facebook Kelly Moraes/Reprodução; Facebook Adriana Lara/Reprodução; Facebook Vanice de Matos/ Reprodução; Lucas Orso/CMPA; Facebook Daiane Mello/Reprodução; e PL/Reprodução.
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