Educação
Cérebros em desenvolvimento: entender como crianças aprendem também exige olhar para o que elas sentem
Especialista em Neurociência e PhD em Educação, Mr. Marcello Lasneaux reforça que aprendizagem, emoção, vínculos e ambiente caminham juntos no desenvolvimento infantil e adolescente
Por muito tempo, falar sobre aprendizagem foi quase sinônimo de falar sobre notas, rendimento escolar, memória e concentração. Mas os avanços da neurociência e da psicologia do desenvolvimento vêm ampliando essa visão: crianças e adolescentes não aprendem apenas com o cérebro “racional”. Eles aprendem com o corpo, com as emoções, com os vínculos, com o ambiente e com as experiências que vivem dentro e fora da escola.
A infância e a adolescência são fases de intensa transformação cerebral. Nesse período, habilidades como atenção, planejamento, autocontrole, flexibilidade, motivação e tomada de decisão ainda estão em processo de amadurecimento. Por isso, comportamentos que muitas vezes são interpretados apenas como desinteresse, teimosia ou falta de disciplina podem estar relacionados a etapas naturais do neurodesenvolvimento ou a desafios emocionais e ambientais que interferem diretamente na aprendizagem.
Para Mr. Marcello Lasneaux, Diretor de Inteligência e Inovação da Heavenly International School, PhD em Educação e especialista em Neurociência, com atuação nas áreas de neurodesenvolvimento, aprendizagem e práticas educacionais, compreender essas fases exige reconhecer que o cérebro infantil e adolescente ainda está em construção. “Estamos diante de um conjunto cada vez mais consistente de evidências sobre o que podemos chamar de neuroinfância e neuroadolescência”, afirma.
Segundo ele, conceitos como neuroplasticidade, poda sináptica, amadurecimento das funções executivas e desenvolvimento dos sistemas emocionais ajudam educadores e famílias a compreenderem melhor como crianças e adolescentes aprendem, se relacionam e constroem sua identidade.
A ciência tem mostrado que aprender não é um processo isolado da vida emocional. Medo, ansiedade, insegurança, excesso de pressão e ausência de pertencimento podem prejudicar a forma como a criança registra, organiza e recupera informações. Da mesma forma, vínculos seguros, ambientes previsíveis, acolhimento, curiosidade e relações positivas com adultos favorecem a disposição para aprender.
Segundo Lasneaux, a antiga separação entre razão e emoção já não se sustenta diante das evidências atuais. “Hoje sabemos que as emoções exercem papel fundamental nos processos de atenção, aprendizagem e memória. A capacidade de manter a atenção em uma experiência, seja uma aula, uma leitura ou mesmo um jantar em família, depende, em grande medida, do significado emocional que essa experiência possui para a pessoa”, explica.
Na prática, isso significa que a escola não é apenas um lugar de transmissão de conteúdo. É também um espaço de construção emocional, social e cognitiva. A forma como a criança é acolhida, corrigida, estimulada e desafiada pode interferir diretamente em sua capacidade de aprender e de desenvolver autonomia.
O mesmo vale para a família. Em casa, a rotina, o sono, o uso de telas, os limites, o diálogo, o exemplo dos adultos e a forma como os erros são tratados também participam da formação do cérebro em desenvolvimento. A criança que se sente segura para errar tende a experimentar mais, perguntar mais e persistir mais. Já aquela que associa o erro à vergonha ou à punição pode desenvolver bloqueios, ansiedade e resistência diante de novos desafios.
Para Marcello, muitos comportamentos típicos da infância e da adolescência ainda são compreendidos de maneira equivocada pelos adultos. “Muitos comportamentos de crianças e adolescentes são interpretados como desinteresse, preguiça, rebeldia ou até mesmo falhas morais, quando, na verdade, podem refletir características próprias do desenvolvimento cognitivo, emocional e social dessas etapas da vida”, observa.
Ele destaca que educar exige equilíbrio entre presença, orientação e autonomia, ou seja, é como acompanhar uma travessia. Essa travessia, explica o especialista, exige que os adultos estejam próximos o suficiente para oferecer segurança, apoio e referência, mas também saibam permitir autonomia, descoberta e construção da própria identidade.
A discussão também se conecta ao crescente interesse pelas habilidades socioemocionais. Embora o estudo de Boer et al. (2025) tenha investigado especificamente o processamento neural de erros e o controle inibitório, seus resultados reforçam a importância de mecanismos de autorregulação e adaptação comportamental durante a adolescência.
Nessa mesma direção, o relatório da OCDE “Nurturing Social and Emotional Learning Across the Globe”, publicado em 2024 e realizado com estudantes de 10 e 15 anos, destaca o papel da escola no desenvolvimento de competências como persistência, empatia, curiosidade, criatividade, responsabilidade e colaboração. Em conjunto, essas evidências sugerem que o fortalecimento de processos de autorregulação cognitiva e socioemocional pode favorecer tanto a aprendizagem quanto o desenvolvimento integral dos estudantes.
O ponto central é que desenvolvimento acadêmico e desenvolvimento emocional não competem entre si. Ao contrário: caminham juntos. Um aluno emocionalmente sobrecarregado pode ter dificuldade de atenção. Um adolescente que não se sente pertencente ao ambiente escolar pode perder motivação. Uma criança que vive sob cobrança excessiva pode até apresentar bons resultados por algum tempo, mas com custo emocional elevado.
Esse impacto é ainda mais evidente quando há ansiedade, pressão por desempenho e medo de errar. “A ansiedade, a pressão por desempenho e o medo de errar podem comprometer a aprendizagem de maneira muito mais profunda do que normalmente imaginamos”, explica Lasneaux.
Segundo ele, quando o erro passa a ser percebido como ameaça, o estudante tende a se proteger em vez de explorar. “Aprender implica explorar, experimentar, revisar estratégias e, inevitavelmente, cometer erros”, ressalta.
Nesse contexto, a atuação integrada entre escola e família torna-se parte essencial do processo. A pergunta deixa de ser apenas “como melhorar o desempenho?” e passa a ser também “que condições estamos criando para que essa criança ou esse adolescente consiga aprender, amadurecer e se desenvolver de forma saudável?”.
Para Lasneaux, essa parceria é decisiva. “Família e escola são os dois contextos mais influentes no desenvolvimento de crianças e adolescentes. Quando atuam de forma alinhada, criam um ambiente de segurança, coerência e apoio que favorece não apenas a aprendizagem acadêmica, mas também o desenvolvimento emocional, cognitivo e social”, afirma.
Compreender o cérebro em desenvolvimento não significa reduzir filhos e alunos a explicações biológicas. Significa, ao contrário, ampliar o olhar: reconhecer que cada fase da vida tem desafios próprios, que maturidade não surge de uma vez, que emoções importam e que a aprendizagem mais consistente nasce da combinação entre afeto, limite, estímulo e sentido.
É justamente esse debate que será aprofundado na palestra magna “Cérebros em Desenvolvimento: como seus filhos aprendem, sentem e se transformam”, promovida pela Heavenly. A programação contempla duas unidades: no dia 16 de junho, às 8h30, na unidade Asa Norte, e no dia 17 de junho, às 8h30, na unidade High Lago Sul. Voltada às famílias Heavenly, a palestra propõe um momento de diálogo sobre aprendizagem, emoções, desenvolvimento infantojuvenil e a parceria entre família e escola na construção de experiências mais saudáveis e significativas para crianças e adolescentes.
Serviço:
Unidade Kinder Lago Sul
SHIS QI 19 chácara 18, Brasília – DF – 71.655-730
Unidade High Lago Sul
SHIS QI 17/19 S/N – Lote Seminário, Brasília – DF – 71.645-600
Unidade Asa Norte
SGAN 606 módulo A – Asa Norte, Brasília – DF, 70.830-251
Contato:
Telefone: (61) 3366-2820
CREDITOS:
FOTO: Divulgação – Heavenly International School
Educação
Festival de Jornalismo discute Inteligência Artificial
20 palestrantes de 16 organizações falaram a 500 estudantes em Brasília
O 2º Festival de Jornalismo do Prêmio Engenho reuniu cerca de 500 estudantes para debater o uso da Inteligência Artificial. Durante duas manhãs, em Brasília, eles ouviram 20 palestrantes de 16 organizações diferentes, em oito horas de programação. Os especialistas que participaram do encontro defendem a supervisão humana para as atividades jornalísticas realizadas pela IA, que é uma ferramenta operacional para dar celeridade ao trabalho feito por profissionais.
As cinco faculdades de Jornalismo da capital do país participaram do Festival. São elas: IESB, Católica, Uniceub, UDF e UnB. Além de Inteligência Artificial, o Festival abordou como os jornalistas podem combater Fake News, o que esperar de um futuro jornalista, as novas funções da profissão, como participar dos programas de trainee da Folha de S. Paulo, de O Globo e do Poder 360, como empreender e como produzir entrevistas, perfis e biografias. Além de veículos de comunicação, também participaram da programação do Festival de Jornalismo a Unesco, o Instituto Palavra Aberta, Sesi e Senai, Sebrae e a Secretaria de Comunicação da Presidência da República. O 2º Festival de Jornalismo do Prêmio Engenho é organizado pela jornalista Kátia Cubel. Nesta edição, teve o patrocínio de Sesi e Senai no DF, Sistema Cofeci-Creci, Vox Radar, Caixa e Governo do Brasil. Onde tem patrocínio Caixa, tem Governo do Brasil.
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