Esporte
Inspirada em Daiane dos Santos, gaúcha brilha nos Jogos da Juventude
AGÊNCIA BRASILi
A competição segue até o próximo dia 16, com transmissão da TV Brasil. Confira, no final do texto, a programação da semana que vem.
- Jogos da Juventude: gaúcho Derick Goulart sobra na ginástica artística.
- Jogos da Juventude: quando competir é uma conquista, mesmo sem pódio.
- Ex-atacante da seleção prestigia filha nos Jogos da Juventude.
Aos 12 anos, Nicole não era nascida quando a conterrânea Daiane dos Santos foi campeã mundial de ginástica, em 2003, ao som do choro Brasileirinho. Mesmo assim, segundo a jovem, a escolha da mesma música para brilhar no Ginásio de Esportes Docão – em Sertãozinho (SP), cidade vizinha a Ribeirão Preto – foi uma homenagem à estrela da ginástica brasileira.
“A Daiane vem do mesmo clube que eu [Grêmio Náutico União, de Porto Alegre], então ela é minha inspiração. Mas a minha técnica também achou uma boa ideia, porque gosto muito de artístico e música brasileira nesse estilo. Eu adoro fazer o solo e salto, provas que estou me destacando. Mas a coreografia com essa música tem uma responsabilidade enorme por conta da Daiane”, destacou Nicole, ao site do Comitê Olímpico do Brasil (COB).
Os resultados nos Jogos da Juventude não são isolados. Em 2022, por exemplo, Nicole foi medalhista de ouro (equipes) e prata (individual) no Sul-Americano Infantil, disputado em Guayaquil, no Equador. Ela também tem pódios em Campeonatos Brasileiros infantil e juvenil.
“As medalhas são frutos dos meus treinos. É muita dedicação, todos os dias, e eu vim aqui para ganhar. Não vim de brincadeira. Eu sempre vou com tudo, claro, respeitando minhas adversárias. Tem também os meus técnicos, que estão sempre me corrigindo, e minhas colegas que me ajudam muito. Então, tudo faz parte e é por isso que cheguei até aqui.”
Masculino
As disputas da ginástica artística, iniciadas na quarta-feira (6), chegaram ao fim na sexta-feira (8). No masculino, o destaque foi o paulista Pedro Silvestre, que também amealhou quatro ouros (argolas, salto, paralelas e barra). Na quinta-feira (7), ele já tinha conquistado uma prata (equipes) e um bronze (individual geral).
“Eu gostei muito dessa competição, porque consegui me concentrar bem mais para fazer os aparelhos. Ontem [quinta], eu estava meio disperso, mas hoje [sexta] fui bem melhor. Vim com a expectativa de ganhar medalhas em todas as provas que disputaria, então deu certo”, disse Pedro, à página do COB.
A fase intermediária dos Jogos da Juventude termina neste domingo (10), com as finais do vôlei de quadra. A partir de terça-feira (12), tem início a etapa final do evento, que envolverá sete modalidades: esgrima, tiro com arco, vôlei de praia, natação, águas abertas, handebol e basquete.
Transmissões da TV Brasil
Terça-feira (12)
9h – natação
Quarta-feira (13)
9h – natação
Quinta-feira (14)
9h – natação
16h – finais do vôlei de praia
Sábado (16)
11h – finais do handebol
Fonte: IstoÉ
Esporte
Vivace transforma histórias dentro e fora das quadras e se consolida como projeto de acolhimento no DF
Iniciativa social que nasceu de encontros informais entre mulheres mostra, por meio de trajetórias como a da atleta Patrícia, o impacto do esporte na saúde mental e na reconstrução de vidas.
O que começou como reuniões despretensiosas entre mulheres apaixonadas por futebol se tornou, ao longo dos anos, uma rede de apoio e transformação. Fundado em 2017, o Vivace se consolidou como um projeto social no Distrito Federal que vai além das quatro linhas, promovendo acolhimento, inclusão e impacto direto na vida de suas participantes — especialmente em um cenário em que 14,7% das mulheres brasileiras relatam diagnóstico de depressão, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Ministério da Saúde em parceria com o IBGE.
A história da goleira Patrícia traduz, em primeira pessoa, a dimensão desse impacto. “Cheguei ao Vivace em um dos momentos mais difíceis da minha vida. Eu estava sem forças, sem esperança. Aqui encontrei acolhimento, apoio e pessoas que acreditaram em mim quando eu mesma já não acreditava mais”, relata a atleta, que enfrentou depressão, ansiedade e situações de violência doméstica antes de reencontrar no esporte um caminho de reconstrução.
Mãe solo de Yasmin, de 8 anos, uma criança autista, Patrícia também encontrou no projeto um ambiente de inclusão que ultrapassa o esporte. “Minha filha é sempre bem recebida nos treinos. Esse espaço também virou uma forma de cuidado para ela e para mim”, completa.
Atualmente, o Vivace realiza treinos às segundas-feiras no Centro Olímpico do Recanto das Emas, com futebol society, e às terças e quintas-feiras na quadra da QNL 08, em Taguatinga, com futsal. Sem processo seletivo, o projeto mantém a proposta de acesso democrático ao esporte, reunindo iniciantes, atletas experientes, jovens, adultas e mães em um mesmo espaço.
A idealizadora do projeto, Glaucy Falcão, destaca que o propósito sempre foi olhar para além da atleta. “O Vivace nasce com o propósito de acolher e transformar. A gente entende que o esporte é uma ferramenta potente, mas o mais importante é olhar para cada mulher de forma integral, respeitando suas histórias e criando oportunidades reais de recomeço”, afirma.
Esse olhar se reflete também nos resultados dentro de quadra. O time já representou o Distrito Federal em competições nacionais, como a Copa do Brasil de Beach Soccer, onde conquistou o 4º lugar — um marco que, para as atletas, simboliza muito mais do que desempenho esportivo. “Para muita gente pode ser só um resultado, mas para mim significa superação, vitória contra tudo aquilo que eu vivi”, diz Patrícia.
Outro destaque é o Torneio Vivace, que amplia a visibilidade do futebol feminino e cria oportunidades para novas atletas. Nesta edição, a iniciativa passa a incluir também categorias masculinas, reforçando o papel do projeto como plataforma de inclusão e desenvolvimento social por meio do esporte.
Para a psicóloga Kenia Ramos, do grupo Mantevida, iniciativas como o Vivace têm impacto direto na saúde mental. “O esporte, quando aliado a um ambiente acolhedor, fortalece vínculos, resgata a autoestima e cria uma rede de apoio fundamental, especialmente para mulheres em situação de vulnerabilidade”, explica.
Mais do que formar equipes, o Vivace constrói trajetórias. Entre treinos, competições e histórias de superação, o projeto reafirma diariamente que o esporte pode ser, acima de tudo, um ponto de recomeço.
CRÉDITOS:
Fotos: Divulgação
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