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Governo priorizou Daniela Carneiro no pagamento de emendas a ministros

Publicado em

Vinícius Schmidt/Metrópoles

Em 2023, até agora, governo pagou R$ 24,8 milhões em emendas parlamentares individuais à ex-ministra do Turismo Daniela Carneiro

O governo Lula priorizou a ex-ministra e atual deputada federal Daniela Carneiro (União Brasil-RJ) no pagamento de emendas individuais em relação a outros ministros que também são parlamentares.

De janeiro a julho de 2023, período em que Daniela esteve à frente do Ministério do Turismo, o Executivo pagou R$ 24,8 milhões em emendas parlamentares individuais à então ministra.

Segundo o portal Siga Brasil, 35 emendas de Daniela foram executadas ao longo de 2023, até agora. As emendas tinham sido empenhadas por ela ainda na Legislatura 2019/2022, quando ela já era deputada.

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Dos R$ 24,8 milhões em emendas pagas à ex-ministra do Turismo, R$ 19,8 milhões foram destinadas ao Ministério da Saúde, e R$ 4,7 milhões, para o Ministério do Desenvolvimento Social.

Todas as emendas foram destinadas a projetos no Rio de Janeiro, reduto eleitoral de Daniela e do marido dela, Wagner Carneiro. Waguinho, como é conhecido, é prefeito de Belford Roxo, município da Baixada Fluminense.

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Segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo, o governo turbinou as emendas com destino a Belford Roxo nos últimos dias de Daniela como ministra, como parte das negociações pela demissão dela do cargo.

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Comparação

As emendas individuais são impositivas, ou seja, têm pagamento obrigatório. O Executivo, porém, pode decidir em que momento pagará e costuma liberar os valores durante votações importantes para o governo no Congresso.

O valor recebido por Daniela supera o de outros ministros parlamentares. Senador, o atual titular da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD-MT), recebeu R$ 21,6 milhões em emendas de janeiro a julho.

Confira a lista:

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  • Carlos Fávaro (Agricultura) – R$ 21,6 milhões;
  • Celso Sabino (Turismo) – R$ 21 milhões;
  • Paulo Pimenta (Secom) – R$ 12 milhões;
  • Simone Tebet (Planejamento) – R$ 10,8 milhões;
  • Alexandre Padilha (Relações Institucionais) – R$ 10,3 milhões;
  • Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário) – R$ 7,7 milhões;
  • André de Paula (Pesca) – R$ 8,9 milhões;
  • Juscelino Filho (Comunicações) – R$ 5,3 milhões; e
  • Alexandre Silveira (Minas e Energia) – R$ 1,1 milhão.
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O montante recebido por Daniela também supera as emendas individuais pagas a importantes líderes da Câmara no período. Entre eles, Hugo Motta (Republicanos), com R$ 22 milhões, e Felipe Carreras (PSB), com R$ 19,5 milhões.

Para efeito de comparação, a ex-ministra do Turismo recebeu valor próximo ao do atual presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que teve R$ 27,1 milhões em emendas individuais pagas em 2023 até agora.

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Politica

Mulheres são contenção à extrema direita, mas barreiras ainda afastam parcela de baixa renda

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Eleitoras enfrentam barreiras de engajamento e a polarização em meio a discursos que tentam desacreditar sua força

As mulheres são maioria do eleitorado brasileiro e podem ser decisivas no segundo turno das eleições presidenciais. O aumento da participação política de mulheres também fica evidente no poder Legislativo, com figuras de diferentes espectros políticos garantindo votações expressivas, como a deputada estadual Eduarda Campopiano (PL-SP) e a deputada federal Érika Hilton (Psol-SP).

Ainda assim, segundo pesquisa do Projeto Brief, milhões ainda estão distantes da política, principalmente entre as mulheres de menor renda, não por considerarem que são incapazes de votar, mas por acharem que seus posicionamentos e votos não farão diferença substancial.

A cientista política Carolina Altalher, diretora executiva do Update, explica que, nas justificativas dessas mulheres, estão a descrença na mudança, custos para participar da política e uma certa frustração com o cenário atual. “Antes da gente falar de um desinteresse, a gente precisa entender quais são as barreiras que elas enfrentam e por que elas não estão enxergando resultados nessa participação”, afirma em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

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Altalher avalia que campanhas que desencorajam o voto feminino e, mais que isso, questionam a capacidade das mulheres de fazer política, muito comuns nos círculos conservadores, acabam beneficiando a extrema direita. “A gente sabe que as mulheres são a contenção da extrema direita em todo o mundo e, por conta disso, acaba viralizando esse tipo de comportamento e de ideia, principalmente no Brasil, onde as mulheres são 52,8% da população. Em diferentes partes do mundo, [existe] esse tipo de estratégia para chamar atenção e para fazer algum tipo de cortina de fumaça em relação a esse voto, que é tão precioso para que a gente não tenha um avanço da extrema direita”, pondera.

Sobre alguns fenômenos nas urnas de candidaturas femininas que se elegeram com discursos violentos e até de retrocesso dos direitos das mulheres, a cientista política observa que a eleitora “não necessariamente concorda com tudo aquilo que diz a candidata”, mas faz sua escolha, muitas vezes, orientada por rejeição. “Há uma combinação entre identificação com valores, rejeição aos próprios adversários e também o reconhecimento dessa liderança, dessas falas que provocam rejeição em alguns públicos, mas para outros podem ser identificadas como algum tipo de firmeza”, avalia.

Para Carolina Altalher, só será possível compreender essas contradições se despindo de conceitos pré-estabelecidos. “Reconhecer a legitimidade da eleição também permite a gente criticar essas posições e cobrar responsabilidade por esse mandato”, pontua.

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FONTE:

brasildefato

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